Education/News/February 2026/Encontro da Rede Latino Americana de Inteligência Artificial Feminista: construindo futuros possíveis
Encontro da Rede Latino Americana de Inteligência Artificial Feminista: construindo futuros possíveis
A diversidade foi um eixo central do encontro: participaram especialistas em estudos da linguagem, ciência da computação, ciência de dados, justiça social e educação, entre outras áreas. As discussões destacaram como perspectivas feministas e decoloniais podem reorientar o desenvolvimento e a governança da IA em diversas regiões da América Latina, incorporando as necessidades das comunidades. Para além dos debates acadêmicos, o evento fortaleceu redes de pesquisa e abriu espaço para projetos conjuntos voltados à produção de conhecimento ético e inclusivo sobre tecnologia e orientado à justiça social.
A relação com o ecossistema Wikimedia foi um ponto-chave. O projeto Observatório Digital das Mulheres Latino Americanas, financiado pela FAPERJ e pela UERJ, vem organizando maratonas de edição com foco na criação e edição de verbetes na Wikipédia sobre intelectuais mulheres latino-americanas. Através de uma abordagem cartográfica, que mergulha na pesquisa intervenção, pensa-se o conhecimento em torno da Wikipédia a partir das intervenções propostas, acentuando a dimensão ético-política, em prol da equidade de gênero, raça e a justiça social. Nessas intervenções, foi possível experimentar a potência do entorno wikimedista, em que os verbetes criados e editados tinham impacto direto nos discursos relacionados às mulheres, tanto nos resultados de buscas em exploradores da internet quanto nos discursos gerados por aplicativos de Inteligência Artificial.

Durante as duas editatonas realizadas no âmbito do Encontro da Rede Latino-Americana de IA Feminista, foram selecionados verbetes que fizessem emergir perspectivas feministas e decoloniais sobre Inteligência Artificial. Foram criados e editados verbetes sobre pesquisadoras e ativistas como Paola Ricaurte Quijano, Ivana Feldfeber, Milagros Miceli, Beatriz Busaniche, Fernanda Bruno, Edméa Santos, Janaina Silva Cardoso, Melina Furman e Luciana Salazar Salgado, além de organizações como Terra Comum e Coding Rights e conceitos como descolonização de dados e feminismo de dados. Os verbetes abordam o uso inclusivo e igualitário da IA, problematizam a exploração laboral, o aprofundamento das desigualdades e os danos sociais e ambientais, propondo transformações técnicas e políticas orientadas a uma IA ética e consciente de questões de gênero e raça.

Com apoio financeiro da Wikimédia Brasil, o encontro fortaleceu o diálogo entre IA, educação e cultura livre, contando com página oficial na Wikiversidade e registros no Wikimedia Commons. A experiência foi contundente: participantes tornaram-se produtores, e não simples reprodutores, do pensamento sociotécnico, promovendo letramento crítico e tecnológico e fortalecendo formas de resistência coletiva. Convidamos a comunidade a conhecer os verbetes criados e participar das próximas iniciativas.
