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Projeto Mais Teoria da História na Wiki/Concurso de edição Mais Diversidade em Teoria da História na Wiki 2025

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Projeto Mais Teoria da História na Wiki

Atividades 2025

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Gênero e sexualidade são categorias importantes na organização político-social, histórica e cultural das sociedades. Atuando como sistemas que regulam comportamentos, identidades e relações, esses conceitos também influenciam profundamente a produção de conhecimento. A partir de uma perspectiva crítica, compreende-se que corpos, desejos e afetos não apenas sofrem os efeitos das estruturas normativas, mas também participam ativamente da construção, transformação dos saberes, evidenciando que todo conhecimento é produzido a partir de contextos situados e atravessados por relações de poder.

Um levantamento realizado por Ronald Canabarro em sua tese, cujos resultados são apresentados e atualizados no site História Transviada, identificou que apenas 0,78% das Teses e Dissertações defendidas em Programas de Pós-Graduação de História no Brasil, entre 1942 e 2022, trataram de temas relacionados a gêneros e sexualidades dissidentes — isto é, aquelas que desafiam a heteronormatividade e/ou a cisnormatividade.[1] O dado revela não apenas a marginalização das temáticas no campo historiográfico, mas apontam para os limites estruturais e epistemológicos que condicionam a visibilidade de certos corpos, experiências e formas de existências na produção acadêmica brasileira, especialmente na área de história.

Assim como Eve Kosofsky Sedgwick e Judith Butler apontaram, a heteronormatividade estrutura não apenas relações sociais, mas também a produção do conhecimento histórico[2][3]. Joan Scott reforça essa ideia ao demonstrar como o gênero opera como uma categoria histórica — não neutra — que exclui dissidências.[4] Na mesma linha, projetos como Whose Knowledge? e o Wikimedia LGBT+ evidenciam que ecossistemas digitais, como a Wikipédia, também reproduzem essas exclusões quando não enfrentam as assimetrias de gênero e sexualidade em sua base de editores. Segundo uma pesquisa feita pela Wikimedia Foundation, apenas 12% de pessoas da comunidade LGBT editaram um artigo na Wikipédia. Ainda, foi notado que as lacunas de representação sobre gênero e sexualidade não é uma exclusividade dos projetos wikimedia, mas um problema que se estende à mídia brasileira em geral. Isso revela a possibilidade dos projetos wiki serem um espaço de inclusão.[5]

Apesar da crescente difusão destas importantes ideias, a Teoria da História ainda apresenta dificuldades em assimilar a reflexão sobre sexualidade e conhecimento. A dualidade corpo e mente continua a estruturar a compreensão sobre a produção do conhecimento, como se fossem substâncias distintas. O acúmulo de reflexões sobre a corporeidade na produção de conhecimento histórico é recente e busca inserir-se como um tópico central na teoria da história. “Estaria a história saindo do armário?”, já se perguntaram os estudiosos da área Elias Ferreira Veras e Joana Maria Pedro.[6]

A ideia de posicionalidade tem ganhado destaque nos debates atuais sobre como produzimos conhecimento. Mariana Barbosa de Souza nos lembra que o saber histórico nunca surge de um lugar neutro ou distante — ele é profundamente marcado por quem somos, onde estamos e no que acreditamos.[7] Nossa existência, nossos corpos e nossos posicionamentos políticos influenciam a maneira como interpretamos e escrevemos a história.

Considerar a sexualidade e o sexo/gênero como elementos fundamentais na produção do conhecimento implica reconhecer a complexidade dos fatores que influenciam essa atividade. Tal abordagem busca compreender as interações entre os sujeitos que produzem conhecimento histórico e os resultados de suas investigações, enfatizando não apenas os fatos em si, mas também as dimensões éticas, ontológicas e epistemológicas envolvidas nesse processo.

É considerando estas inquietações que a edição de 2025 do Mais Diversidade em Teoria da História na Wiki foi realizada. Em 2025, prestamos uma homenagem especial a três pessoas cuja trajetória ecoa os desafios e as insurgências que marcam a luta por reconhecimento na história: uma mulher transexual e duas mulheres cisgênero lésbicas - Márcia Maia Mendonça, Cassandra Rios e María Lugones. A escolha não é casual: ao evidenciar diferentes formas de ser mulher e dar destaque às experiências lésbicas, o evento também se inscreve nas celebrações do mês da Visibilidade Lésbica, que marca datas fundamentais como o 19 de agosto — Dia Nacional do Orgulho Lésbico — e o 29 de agosto — Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Reconhecer essas trajetórias é reafirmar que o conhecimento se faz também a partir das potências dissidentes e dos corpos que rompem as margens da norma, escrevendo novas possibilidades de existência e memória.

Ao tentar reunir mais informações sobre vozes dissidentes e sujeitos insurgentes na escrita da história e para além dela, o WikiConcurso Mais Diversidade se alinha aos princípios do enciclopedismo, criando uma oportunidade para que tais lacunas no conhecimento possam ser reduzidas. Se, como lembra Eve Sedgwick, o armário é uma metáfora do silêncio estrutural, será que podemos, nessa força tarefa, quebrar esse armário e contemplar a história fora dele?[8]

Atividade

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Inscrições encerradas.

Este concurso abarcou edições na Wikipédia, no Wikimedia Commons e no Wikidata. Organizamos diversas listas de verbetes na Wikipédia e itens no Wikidata para edição e criação, bem como de multimídias no Wikimedia Commons para upload. 😉

Confira as regras e diretrizes do Wikiconcurso. Participantes com qualquer nível de experiência e residência em qualquer país puderam concorrer.

Todas as atividades deste evento foram gratuitas. As edições foram monitoradas e contabilizadas através da ferramenta Programs & Events Dashboard para fins de avaliação do evento.

Pré-requisitos para participar

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  • Disposição e interesse em dar visibilidade às questões de gênero e sexualidade no universo Wikimedia!
  • Conta nos projetos Wikimedia (caso ainda não possua, crie uma em menos de um minuto aqui).
  • Ler com atenção as regras e diretrizes.
  • Querer ganhar prêmios personalizados.

Relatório

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O relatório do concurso está disponível no Wikimedia Commons. Nele é possível encontrar a trajetória de organização do concurso, os resultados alcançados, reflexões e análises sobre o impacto obtido e a avaliação das pessoas que participaram do concurso. Abaixo você encontra o link de acesso:

Relatório de avaliação do concurso Mais Diversidade em Teoria da História na Wiki 2025

Referências

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  1. Canabarro, Ronald (2024-05-20). - Historiatransviada.com - dar a ver uma historiografia pública digital (Thesis). Fundação Getúlio Vargas. Retrieved 2025-03-17. 
  2. Sedgwick, Eve Kosofsky (2007-01-01). "A epistemologia do armário". cadernos pagu 28: 19–54. 
  3. Butler, Judith (2003). Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Civilização Brasileira. 
  4. Scott, Joan (1995). "Gênero: uma categoria útil de análise histórica". Educação & Realidade 20: 71–99. 
  5. Wikimedia Foundation Communications (2022-10-26). "DEI Research Brazil" (PDF). Retrieved 2025-05-28. 
  6. Veras, Elias Ferreira; Pedro, Joana Maria (2014-09-01). "Os silêncios de Clio: escrita da história e (in)visibilidade das homossexualidades no Brasil". Tempo e argumento 6 (13): 90–109. doi:10.5965/2175180306132014090. 
  7. Souza, Mariana Barbosa de (2022-12-20). A mapeadora de ausências: metapesquisa da produção histórica sobre a população LGBTQIAPN+ no Brasil (1987-2018) (Thesis). Universidade Estadual de Ponta Grossa. doi:10.1590/18094449201600470017. 
  8. Sedgwick, Eve Kosofsky (2007-01-01). "A epistemologia do armário". cadernos pagu 28: 19–54. 





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